Família Ferreira, Família Valadão e sua origem judaica

Vereador N° 33007

Familia Ferreira

Sobrenome de origem geográfica, tomado do lugar de Ferreira, na Freg.ª de S. João de Eyris, Concelho de Aguiar, comarca do Porto, Prov. do Minho, Portugal (Sanches Baena, II, 68). Do latim ferraria, mina de ferro (Antenor Nascentes, II, 111). O primeiro que usou este sobrenome foi Rio Pires, que o tomou da localidade de Ferreira de Aves, de que era senhor e onde fundou o solar da família. Era bisneto de Fernão Jeremias, um dos fidalgos que passaram de Castela a Portugal em 1095, acompanhando D. Teresa, mulher do conde D. Henrique de Borgonha (Anuário Genealógico Latino, I, 43). Felgueiras Gayo, no século XIX, informa que no Concelho de Aguiar se achava o Couto de Ferreira, o Vale de Ferreira, o Rio de Ferreira e o Chão de Ferreira, e que tudo foi motivo de originar esta família. Gayo registra o cavaleiro Martim Ferreira de Oliveira Barros, proprietário da Quinta de Vila Verde, cabeça do Morgado por ele instituído, situada junto do Rio de Ferreira de S. João de Eyris. O mesmo Martim Ferreira, dalí passou para o Casal de Cavaleiros, propriedade da família, já naquele tempo. A Vila e Couto de Ferreira, recebeu foral em 1222, o que o leva a crer que dela deve ter se originado a família. Sua genealogia, traçada com maior segurança, é principiada por Gayo, em D. Álvaro Ferreira, Rico-Homem do reino de Leão, que deve ter vivido pelos anos de 1170. Foi Sr. de Meilas, depois Mancilhe de la Serra, em Castela a Velha, e Senhor da Vila de Ferreira, de onde certamente tomou o sobrenome da família. Foram avós de Pedro Ferreira, sucessor na casa de seu pai, que, juntamente com sua esposa, D. Maria Vaz, deu o foral à vila de Ferreira no ano de 1222, que ele fundou, e povoou dando-lhe por nome o do seu sobrenome em memória do seu antigo Solar, nas Astúrias, em Santilhana (Espanha). Edificou, na mesma vila de Ferreira, um Mosteiro dedicado a São Pedro, para os Cavaleiros Templários (Gayo, Ferreira, Título e § 1.). Deste último casal, foi quinto neto Ayres Ferreira, Escudeiro do Infante D. Henrique, patriarca desta família Ferreira, na Ilha da Madeira, para onde passou no tempo do seu descobrimento, em 1419. Do seu casamento, entre outros, foi seu quarto neto, Antônio Teixeira de Mello, que passou ao Maranhão, conforme se vê abaixo. Brasil: No Rio de Janeiro, entre as quase 165 famílias com este apelido, nos séculos XVI e XVII, registram-se as seguintes: Antônio Ferreira, 1.º Professor de Latim (c.1574) da Cidade [c.1545-1614]; Diogo Ferreira [c.1573-a.1657]; Garcia Ferreira, Escrivão (1588) da Câmara; João Ferreira, pedreiro [c.1595- ?]; Rodrigo Ferreiro, ourives [c.1587- ?]; João Ferreira Drummond [c.1606- ?]; Manuel Ferreira Soares [c.1586 – ?]; etc. Quase todos deixaram descendência (Rheingantz, II, 73-119). Ainda no Rio de Janeiro, registra-se a numerosa família de Gonçalo Ferreira [c.1618 – 09.10.1663, Rio, RJ], que deixou geração do seu cas., por volta de 1646, com Francisca dos Reis [bat., 08.10.1623, Rio, RJ – 22.11.1708, idem], filha de Manuel Gonçalves e de Barbara Braz. São antepassados das famílias Milne (v.s.), Ferreira Braga (v.s.), Reis Aarão (v.s.), Velho de Lagoar (v.s.), Bertão (v.s.) e Borges da Costa (v.s.), etc. Antiga e importante família, de origem portuguesa, estabelecida em São Paulo, para onde passou, em companhia do donatário Martim Afonso de Souza, o Capitão-Mor Jorge Ferreira, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, que estabeleceu-se em Itapema. Foi lugar tenente do Donatário da Capitania de São Vicente [1566-1557 e 1567-1569]. Deixou numerosa descendência do seu cas. com Joana Ramalho, filha de João Ramalho – patriarca desta antiquíssima família Ramalho (v.s.), em São Paulo. Entre os seus descendentes registra-se a filha, Joana Ferreira, que deixou geração do seu cas. com Tristão de Oliveira, filho de Antônio de Oliveira, Capitão-Mor de São Vicente [1538] – patriarca desta família Oliveira (v.s.), de São Paulo (AM, Piratininga, 80; Silva Leme, IX, 66; Leite Ribeiro, 23). No Maranhão, por ocasião do seu povoamento, a família de Antônio Teixeira de Mello, filho de Pedro Gonçalves Ferreira e quarto neto de Ayres Ferreira, patriarca desta família Ferreira, na Ilha da Madeira (ver acima). Capitão-Mor e gov. das Armas do Maranhão, por ausência de Antônio Moniz Barreiro, um dos povoadores daquela região [ver família Barreiros]. Casou no Maranhão com Catarina Maciel Parente, irmã do poderoso gov. daquele Estado, Bento Maciel Parente, patriarca da família Maciel Parente (v.s.), do Pará e Maranhão. Sobrenome de algumas famílias estabelecidas no Pará, oriundas da Praça de Mazagão, em África. Entre outras, registra-se a de Luiz Antônio Ferreira, que migrou para o Pará, compondo o grupo 340 famílias que embarcaram para o Brasil em 1770, estabelecendo-se na nova colônia de Mazagão. Fazia parte do corpo de Infantaria da 3.ª Companhia, grupo familiar n.º 76, recebendo 116$483 rs. de soldo. Veio em companhia de três filhos: I – Antônio Ferreira, recebendo 52$425 de soldo; II – José Ferreira, recebendo 52$425 de soldo; e Domingos Ferreira, recebendo 52$425 de soldo. No Piauí, entre outras, registra-se a de José Antônio Ferreira [c.1753 – ?], Oficial do Exército Português que, em meados do século XVIII, se passou da Bahia para o Piauí. Deixou geração do seu cas., em Oeiras (PI), com Inácia da Silva Teixeira, filha de Antônio Borges Teixeira e de Joana da Silva Pinto. Foram pais do sarg.-Mor José Antônio Ferreira, Membro da Junta do Governo interino da Província do Piauí, instalada em 1821, e da Junta Provisória [1822]. Faleceu no porto de Tenente-Coronel. Na Bahia, entre as mais antigas, do séc. XVI, encontra-se a de Manuel Ferreira, que deixou geração do seu cas. com Maria Feio do Amaral (Jaboatão, 558). Linha Indígena: Sobrenome também adotado por famílias de origem indígena. No Rio de Janeiro, entre outros, registra-se a de André Ferreira, que deixou geração, por volta de 1650, com Luiza, «moça da terra» (índia), pela qual corre o sobrenome (Rheingantz, II, 73). Linha Africana: No Rio de Janeiro, entre outras, registram-se a de Antônio Ferreira, que deixou geração, por volta de 1649, com Luiza, «preta do gentio da Guiné», pela qual corre o sobrenome; e a de Isabel Ferreira, nasc. Rio, que deixou geração, em 1696, com Bartolomeu Langosta, «pardo», escravo da Santa Casa de Misericórdia (Rheingantz, II, 75, 381). Em Goiás, há a de Paula, escrava de José Inocente Ferreira e, depois, de seu filho, Joaquim da Costa Ferreira. Deixou descendência, em Pirinópolis, a partir de 1840, pela qual corre o sobrenome Ferreira (J. Jayme, Pirinópolis, V, 439). No Rio Grande do Sul, entre outras, registra-se a família de Maria Ferreira, parda, casada em 1799, em Mostardas, RS, com Leandro José Pimentel. Linha de Degredo: Registra-se, no Auto-de-fé celebrado no Terreiro do Paço de Lisboa, a 10.12.1673, a condenação de sete (7) anos de degredo para o Brasil, de Maria Ferreira, natural de Lisboa, onde morava, «por casar segunda e terceira vez, sendo vivo o seu primeiro e legítimo marido» (bigamia). Esposa de João André «que tinha sido cizeiro». Registra-se o caso de Manuel Soares Ferreira que, entre outras penas, fora condenado a um degredo de seis (6)a nos em Angola, depois comutado pelo de cinco (5) anos no Rio de Janeiro, pela morte de Carlos da Fonseca Pinto no ano de 1700, na cidade de Salvador, Bahia. Ao ser-lhe perdoada a pena de degredo, deveria pagar 40.000 cruzados para as despesas da Mesa da Consciência. Cristãos Novos: Sobrenome também adotado por judeus, desde o batismo forçadoà religião Cristã, a partir de 1497. Em Pernambuco, entre outras, registram-se: I – a família de Abraham Ferreira [c.1596 – ?], que ali vivia, casado, em 1646; II – a de Abraham Izhack Ferreira, judaizante, importante comerciante e senhor de engenho em Pernambuco, antes da chegada dos holandeses; III – a de Gaspar Dias Ferreira, documentado em 1636, 1637, 1639 e 1641; IV – a de Hester Ferreira, em 1645 e 1646; e V – a de Serafina Ferreira, documentada em 1645 e 1646. No Rio de Janeiro, entre outras, registra-se a família de Antônio Luiz Ferreira, «parte de cristão novo» e morador no Rio, filho de Manuel Luiz Ferreira, lavrador de mandioca. Saiu no auto-de-fé de 1729. Na Bahia, registra-se a família de Diogo Henriques Ferreira, «cristão novo», nat. de Portugal, morador da Bahia, homem de negócios, cas. com Leonor Henriques de Crato. Saiu no auto-de-fé de 1728. Em Goiás, a família de José Pinto Ferreira [1744, Portugal – ?], «cristão novo», morador da Vila Boa dos Goiases, que saiu no auto-de-fé de 1761; e de Tomás Pinto Ferreira [1705, Portugal – ?], morador da Vila Boa dos Goiases, filho de Manuel Pereira. Negociante: saiu no auto-de-fé de 1761 (Wolff, Dic., I, 70). Linha Natural: Em Minas Gerais, por exemplo, registra-se Fortunato José Ferreira, nat. de Campanha (MG), «filho natural» de Brigida Maria de Jesus, foi cas. em 1819, em Itajubá (MG), com Ana Francisca da Silva, nat. de Pouso Alto, MG (MonsenHor Lefort – Itajubá). Linha das Órfãs da Rainha: Entre as diversas famílias com este sobrenome, estabelecidas na Bahia, cabe registrar a de Euzébio Ferreira [c.1578, Ilha da Madeira- 1630, BA], que passou à Bahia, onde deixou numerosa descendência de seu cas., em 1603, com Catarina de Souza [c.1583, BA – 1649, BA], neta de Marta de Souza Lobo (sobrinha do conde de Sortella), uma das órfãs protegidas da rainha D. Catarina, que as enviou, em 1551, ao gov. do Brasil Thomé de Souza para casá-las com as pessoas principais que houvesse na terra. Marta Lobo, foi casada na família Dormundo (v.s.); filha de Baltazar Lobo de Souza, patriarca desta família Lôbo de Souza (v.s.). Nobreza Titular: Registra-se, em São Paulo, de origem portuguesa, a família do Comendador Antônio Ferreira da Silva, natural de Portugal, que passou a Santos (SP), onde deixou geração do seu casamento com Maria Luiza Ferreira, natural de São Paulo. Foram pais do deputado Antônio Ferreira da Silva Júnior [21.12.1826, Santos, SP – 21.12.1887, Rio, RJ], que foi agraciado, sucessivamente, com os títulos [Dec. 02.05.1874] de barão de Embaré; elevado [Dec. 31.12.1880] a visconde de Embaré; e, finalmente, elevado [Dec. 07.05.1887] a visconde com honras de grandeza de Embaré. Foi casado duas vezes, na mesma família: a primeira, em Santos, com Gabriela Amália Vaz de Carvalhais Ferreira [22.10.1825, Santos, SP -]; e, a segunda, com Josefina Vaz de Carvalhais Ferreira [- 10.08.1893, Rio, RJ], irmã da primeira, viscondessa com honras de grandeza de Embaré. Filhas do Comendador Barnabé Francisco Vaz de Carvalhais e de Ana Zeferina Vieira de Carvalho. Para o Rio de Janeiro, registram-se o visconde de Guaratiba [Dec. de 02.12.1854], e o barão de Guaratiba [Dec. 30.11.1870] – que vão registados no título Gonçalves Ferreira (v.s.). Heráldica: I – um escudo em campo vermelho quatro faixas de ouro. Timbre: uma avestruz de prata, com uma ferradura de ouro no bico (Sanches Baena, II, 68); II – Miguel Alvares: um escudo partido: I – de verde, com 2 cintos de prata postos em banda; II – de prata, com 2 flores-de-lis de azul, uma na direita do chefe, outra na esquerda da ponta; III – Do barão de Famalicão: um escudo em campo vermelho, 3 faixas de prata. Século XVI: IV – Francisco Ferreira – Brasão de Armas datado de 27.02.1536: um escudo com as armas da família Ferreira [item I]; V – Diogo Ferreira – Brasão de Armas datado de 21.01.1542: um escudo com as armas da família Ferreira [item I]. Diferença: um cardo verde de três folhas, sobre a primeira faixa.

 

 

 

Familia Valadao
Sobrenome (Antenor Nascentes, II, 387). Aumentativo de Valado (Anuário Genealógico Latino, V, 66). Importante família estabelecida no Estado do Rio de Janeiro, à qual pertence Antônio de Valadão Pimentel, que deixou geração do seu cas., por volta de 1808, com Ana Francisca do Amaral. Foram pais do Dr. Manuel de Valadão Pimentel [04.03.1802, Macacu, RJ – 30.11.1882, Ilha de Paquetá, RJ], médico, diplomado pela antiga Escola Médico Cirúrgica do Rio de Janeiro. Professor Jubilado e Diretor da mesa Faculdade. Grande do Império. Oficial-Mor da Casa Imperial. Médico honorário do Imperador D. Pedro II e da Princesa Isabel. Membro da Academia Imperial de Medicina. Comendador da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Foi agraciado, sucessivamente, com os títulos de barão de Petrópolis [07.03.1866] e barão com honras de grandeza de Petrópolis, por Decreto de 29.07.1877. Deixou geração do seu primeiro cas., a 12.11.1831, na Capela de Nossa Senhora da Glória, RJ, com Joaquina Heleodora de Souza [1806 – 23.06.1855, Rio, RJ], falecida antes da concessão do título de barão ao seu marido. Foi casado, em segundas núpcias, com Inês Valadão Pimentel, baronesa com honras de grandeza de Petrópolis. Linha Africana: Em Ubá (MG), há registro, por exemplo, de Manuel, «pardo forro», batizado em 1847, filho de Antônio Lucas Valadão (CB – Famílias de Ubá). Em Campanha (MG), por exemplo, Manuel Gonçalves Valadão, «preto forro», foi cas. em Campanha, em 1795, com Joana de Souza «parda forra», nat. de Campanha, filha de Manuel Duarte e de Isabel da Costa «pretos forros» (Monsenhor Lefort – Campanha). Nobreza Titular: Dr. Manuel de Valadão Pimentel, barão com honras de grandeza de Petrópolis – citado acima.